terça-feira, 27 de outubro de 2009

É assim mesmo!



Mais do mulher de 30.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Por que eu me importo tanto?

Eu sempre gostei de sair cagando regras por aí. Não posso ver um ouvido desprevenido que já saio lançando minhas teorias furadas martelo adentro. E tem uma delas que eu gosto muito e repito sempre pra mim e para os outros: as coisas têm exatamente a importância que você quer dar pra elas.

Uma vez entendido isso, tudo fica mais fácil, certo? NOT! Não fica fácil porra nenhuma. Aliás, nunca foi ou será fácil. Sei lá, acho que faz parte da nossa condição.

Mas com certeza, fica mais leve. Quer um exemplo? Você foi assaltado, e claro, todos concordamos que isso é bem ruim. Você fica com a sensação de vulnerabilidade, impotência e medo. Sem contar os prejus. Mas daí achar que nunca mais deve sair de casa para evitar o risco de ser roubado novamente, é uma escolha. Você, e só você, pode decidir o quanto permitirá o efeito da passagem do larápio na sua vida.

E assim é pra todo o resto. Tudo depende do quanto você se permite e quer ser afetado pelos fatos e pessoas que estão sempre a sua volta. Até porque em dias diferentes uma mesma coisa pode nos afetar de modos diferentes.

Isso pode ser bobagem pra você, mas pra mim, que sempre se importou muito com tudo, é revolucionário. Com o passar dos anos, a terapia e tombos eu estou aprendendo a manter minha potência e controlar melhor a intensidade do quanto o que está de fora pode me afetar. Percebi isso hoje nas primeiras horas do dia.

Acordei mal humorada. E prefiro acreditar que esse mau humor é gratuito. Porque né? Nada de muito novo e horrível aconteceu entre ontem e hoje na minha vida. Nem mesmo o emaranhado de problemas práticos, existenciais e psíquicos que tenho que lidar todos os dias justificam esse mau humor. Se não ele seria permanente.

Até que eu cheguei no trampo e uma surpresa agradável aconteceu. Um amigo me presenteou com a trilogia do Poderoso Chefão, uma das melhores coisas que um bípede já fez, e de repente o mau humor perdeu a importância. Simplesmente, porque eu escolhi transferir a importância de todo o resto que me incomodava para os 4 DVDs na minha mesa.

E pensei na alegria de chegar em casa hoje - depois de lavar a pilha de louça acumulada devido à ausência prolongada da Marinete (um dos fatos que estava me incomodando) - e assistir a pelo menos um dos três filmes. E a vida sorriu de novo e todo o resto deixou de me afetar. Porque sim, mesmo sendo uma pessoa que se importa demais, eu estou aprendendo a me importar cada vez menos...

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Oi, eu sou Helena!

Pois é, eu sempre gostei de novela. E não que precise, mas tenho várias justificativas para tal. Cresci assistindo a folhetins com a minha mãe. Clássicos da literatura brasileira como Ninho das Serpentes, Dona Beija, Roque Santeiro, Vale Tudo, etc. Pra mim era tudo o máximo, tramas intrigantes, trillers de suspense e histórias de amor proibidas. Todos bons exemplos de uma honesta expressão literária em que nós, brasileiros, somos fodas. Pronto, chega de justificativas.

Daí que ontem estreou na Vênus Platinada a nova novela do Maneco. E daí, né? Essa é só mais uma novela tocando bossa nova no Leblon com diálogos pobres porém, ricos em clichês. Sim, é. Mas com uma diferença que pra mim, é deveras importante: Pela primeira vez na história de merda desse país, temos numa novela, uma protagonista negra.

E mais que isso. Uma protagonista negra que não é escrava. Fodam-se todos que odeiam novelas, todos que odeiam o Manuel Carlos, e mais ainda, todos que odeiam os negros. Eu tô MUITO feliz que uma atriz negra tenha conseguido sair da cozinha da Vera Fischer para representar uma top model internacional linda e de cabelo ruim!

Eu cresci me espelhando em modelos inatingíveis. Loiras, brancas, lisas e lindas. Com as quais eu jamais ia parecer. (Deus, como eu desejei um franjão índio!) Levei 29 anos para entender que não havia NADA de errado com o meu cabelo e que sim, ele é bonito, saudável e é MEU!

E agora, com a super bonita da Taís Araújo no horário nobre, minhas sobrinhas vão ter a chance de ver que não há nada de errado com elas bem mais cedo do que eu. Ou melhor, talvez elas nunca cheguem a pensar que há algo de errado com a aparência delas. Que apenas vivemos num mundo onde as pessoas são diferentes e há espaço para todos os tipos de beleza. Mesmo que fora de casa.

Te dedico, Maneco!

Up date.: galera, eu sei que a Taís já foi protagonista da Xica da Silva e da Cor do Pecado. Mas ambos papéis eram baseados em estereótipos negros. O que quis dizer é que pela primeira vez a atriz negra saiu da cozinha e da senzala. A Helena da Taís é rica, linda, internacional. A pretinha tá por cima da carne seca como diria minha falecida vó, que adoraria ver pretos no poder.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

doze rascunhos

Doze rascunhos nenhum texto publicado. Não por nada, não por nada, mesmo. Nada de impublicável. Mas também nada de compartilhável. Só mais do mesmo. E do mesmo, mesmo. E quando não se tem mais do que samba e bossa pra dizer. Melhor calar. Deixar assentar. Parar. Mesmo porque tudo a minha volta se move, sem mim. Entre aspas. Porque eu nunca paro. Acontece. Mesmo que eu não queira, mesmo que eu queira que pare. Queria o devagar. Devagar em mim. Lento. Menos. Menos pressa. Menos palavras. Menos pensar. Menos supor pensamentos. Mas não dá.

Eu tento, mas não dá.

terça-feira, 28 de julho de 2009

E lá vamos nós...

...falar sobre racismo pela enésima vez. É que toda vez que a temática vem à tona eu me esforço pra não entrar na discussão porque só eu sei o que me custa voltar a essa blá blá blá que levei tanto tempo pra superar. Só que aqui é meu espaço e aqui posso e quero elocubrar.

Daí que essa semana um humorista x, reverberou uma piada y, em lugar z na internet. A piada é racista e coloca negros, macacos e jogadores de futebol todos no mesmo saco. Sem contar as loiras, que também são ofendidas por conseqüência na infeliz anedota. Infeliz porque é ruim, porque é nada criativa e mais velha que o King Kong, o célebre gorila citado pelo humorista.

Novidade? Não! Acontece que geral se doeu e quando geral se dói dá um sooooono. A piada é ruim, fato! Nasceu morta porque não tem graça. E não tem graça não apenas por se valer de um estereótipo preconceituoso. Mas também porque é lugar comum e por isso, beeem gasta. E tão datada quanto ter uma atitude racista.

Mas o que me péla o saco que eu não tenho é nêgo se surpreender e agir como se nunca antes tivesse ouvido uma piada baseada em precon. Ou como se nunca tivesse se valido de algum estereotipado para se sobressair na comédia. Seja o português, o argentino, o viado, a loira, a mulher, o nerd, o brocha, o corno, o fanho, o velho, todos fazem parte do pobre acervo humorístico nacional. Tanto quanto os negros.

E se inflamam como se o problema fossem as piadas. Veja, minha gente, elas, como qualquer outra manifestação do populacho, só refletem o que rola na boca da geral. Por tanto, não são causa, apenas sintomas. E, por isso, e SÓ, por isso, combater piadas racistas e seus contadores, na esperança de combater o preconceito racial, é quase como tratar o câncer com Aspirina.

Só pra constar aos desavisados: O precon racial existe, e faz tempo. Sempre existiu. Provavelmente os igualmente escurinhos já foram vítimas. Piadistas como o Gentilli são só o eco de um triste fato histórico que resultou num problema anacrônico nesse país.

Sejamos francos: Preconceito, você também tem um pra viver. Pode procurar, por minha conta! Só muda de endereço e histórico de vida. Nesse exato minuto você está me julgando com base neles, inclusive.

E isso pode até lhe parecer limítrofe, e é. Mas e aí? O que você está fazendo a respeito? Está revendo seus conceitos diante das diferenças e daquilo que lhe causa estranheza? Ou só está querendo mudar a forma como terceiros vêm o mundo trantando-os com igual preconceito?

Discussão pela discussão é só reverberação, quiçá, histeria.

Mais sobre o tema aqui no Afroencências e no Blog do La Peña.

sábado, 18 de julho de 2009

Quando a minha mãe vai embora

Eu já não moro com os meus pais há mais de 10 anos. Saí da casa deles pra morar em outro estado. Aquela velha história do filho que vai estudar e acaba não voltando porque decidiu cuidar da própria vida em outro canto e tals.

Mas mesmo estando há séculos longe deles, vendo-os no máximo umas 4 vezes ao ano dependendo do volume de feriados e de grana, eu choro quando minha mãe vai embora.

Geralmente ela vem me visitar em julho. E como boa mineira que é fica no máximo uma semana sempre bradando que "visita é igual peixe, se levar muito tempo fede". Mas esse pouco tempo que ela fica é sempre suficiente pra eu relembrar como é bom ter a mãe por perto e a falta que ela faz. Em alguns dias ela ajeita várias coisas que eu estava protelando, elogia, dá broncas, reclama, consola e se preocupa. Como se jamais tivesse saído da casa dela. E na verdade, não saí mesmo.

Resultado: toda vez que ela parte de volta pro Goiás eu fico com um nó entupindo a garganta. E aí leva um tempinho pra vida voltar ao pique de sempre.
A minha porção filha, que ainda é a maior, agradece a visita.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Tá superestimando, né?

Existem algumas coisas nessa vida que são superestimadas. A democracia, a sinceridade, o sexo e a informação, são bons exemplos. E apesar de ser contra justificar opiniões, vou fazer antes que me batam na cara.

Democracia: nem toda escolha coletiva é legal. Por exemplo, você quer juntar os amigos. Sugere uma saída pra jantar e pede que escolham o lugar. Em segundos sua caixa de e-mail tem pelo menos 40 mensagens, e nada foi decidido. O Zezinho não come carne, a Pedrinha só come carne, Mariazinha não tem carro, Joãozinho não tem dinheiro. E você ficou sem jantar. O lance aqui é: galere, tô indo jantar no japonês quem tiver afim cola no bonde. Ditadura na veia.

Sinceridade: deus me livre e guarde da má hora de ter que ouvir tudo o que pensam de mim e mais ainda de ter que dizer tudo que penso dos outros para os outros. Oi, o que você acha de mim? Um mané, incompetente e ainda por cima arrogante. E de mim? Uma vaca aproveitadora e burra, mas que adora fazer a culta. NOT! A mentira e a omissão proporcionam um convívio social mais saudável.

Sexo: jura POR sua genitália que você quer transar a qualquer momento e com qualquer pessoa? Se sim, ok, você é doente e é melhor se tratar. Caso contrário há de convir comigo que tem muitos momentos em que é muito melhor fazer qualquer outra coisa do que ir pra cama com um dito cujo. Pense nisso.

Informação: pois é, de repente acordamos na era da informação, quando o que importa mesmo é quantos links você tem cadastrados no seu Reader. Não interessa o que você vai fazer com tanta coisa, mas tem que saber! Todo mundo tudo sabe, tudo lê, tudo vê. É chique ser devorador de blogs, livros, revistas e jornais. (Mas pra ser pró mesmo tem que ser early adopter, beta tester, etc) Agora o porque, eu não sei. Metade dessa informação recebida (e recebida antes) se quer é digerida. Porque, né? Logo menos, tem mais pra engolir. Logo, que vantagem Maria leva em saber tudo e não entender nada?